podem tem fim.
alguns infinitos,
© theme

+


Tem gente que diz que o amor é difícil. Eu acho fácil, fácil demais, até. Amar alguém é algo tão natural, tranquilo. Quando esse sentimento aparece em nossas vidas os medos que outrora tínhamos se esvaem, as dúvidas desaparecem e dão lugar às mais variadas certezas: a certeza de que estamos felizes, de que somos completos, de que aquela pessoa que está ao nosso lado corresponde aos nossos sentimentos, e, acima de tudo, de que não há outro lugar no mundo para nós, se não ali, naqueles braços. Amor é um sentimento tão mágico que faz com que a gente sinta uma conexão além do explicável com nosso parceiro, coisa de outras vidas, ou de alma, como preferir.


Tem dias em que a gente só quer deitar na cama, fechar os olhos, ligar uma música baixinha,e imaginar uma vida onde todos os nossos sonhos e planos se tornam realidade. Pensar em como teria sido se as coisas fossem diferentes, se nossas paixões e desejos dependessem da gente, somente, e de ninguém mais.


- Mas por que me escolheu? - perguntei. Eu conhecia a resposta, sabia o quanto ele me amava, mas precisava ouvir da sua boca.
- Porque você me deixa mais próximo de Deus e de mim mesmo. - respondeu Xavier. - Quando estou com você, entendo coisas que jamais imaginei entender, e meus sentimentos por você parecem dominar tudo. O mundo podia desabar na minha cabeça, e eu não daria a mínima, se ainda tivesse você.
- Quer ouvir uma coisa maluca? - sussurrei - Às vezes, de noite, consigo sentir sua alma ao meu lado.
- Isso não tem nada de maluco. - disse ele, sorrindo.
- Vamos criar um lugar - sugeri, colando meu corpo ao dele. - Um lugar só nosso, um lugar onde a gente possa sempre se encontrar, se as coisas derem errado um dia.
- Como nos penhascos da Costa do Naufrágio?
- Não. Um lugar em nossa mente - respondi. - Que a gente possa visitar, caso estejamos perdidos ou distantes ou simplesmente se precisarmos entrar em contato um com o outro. Será o único lugar onde ninguém irá nos procurar.
- Acho ótimo - disse Xavier. - Por que não o batizamos de Ponto Branco?
- Perfeito
— Beijada por um anjo


Vai por mim, menino. Você não precisa fingir ser alguém que não é para que as pessoas te achem interessante. Mostre a elas seus sentimentos e, estou certa, isso as conquistará mais do que algumas mentiras e histórias inventadas. E se, por alguma razão, você não conseguir conquistá-las com a verdade, acredite em mim, “decepcioná-las” terá sido o melhor que te aconteceu. 


A verdade é que você pode “pagar de fodão” o quanto quiser. Finja que sai por aí beijando todas, aliás, saia, de fato, por aí, se envolvendo com qualquer uma, só pra mostrar pros seus amigos que você é o pegador. Diga pra elas que você é o cara do sexo, e que já comeu mais garotas do que elas conseguem imaginar, ou melhor, faça isso, experimenta sair transando com garotas que não dão a mínima pra você, que só querem sua própria satisfação. Ouça quantas músicas “de solteiro” você desejar, e se quiser, coloque todas elas em prática. Afinal, elas pregam que o cara é bom quando bebe, fuma, trai sua mulher, sai com geral, enfim. A verdade é que você pode se passar por um tremendo babaca, basta que você deseje. Mas, embora muitos acreditem que esse otário é você, eu te digo, com certeza absoluta, que você tá longe de ser esse cara. Quando te conheci eu pensei “puta merda, esse menino é especial!” e hoje, mesmo com todas as idiotices que você foi, é, e ainda será capaz de fazer, eu continuo acreditando naquele cara que conheci há uns anos atrás. Por que? Porque eu vi em você algo além do superficial. Eu conheci, minimamente, sua essência. E esse mínimo me dá certeza de que você é melhor do que aparenta ser. Infinitamente melhor. Certas coisas não mudam.



Talvez eu não seja mais capaz de escrever textos de amor. Talvez não saiba mais abrir meu coração. Talvez não tenha mais vontade de ir atrás de alguém, mesmo que eu queira. Talvez eu não mais consiga fazer aquelas declarações de amor que fazia tão bem quando tinha 16. Talvez as pessoas estejam certas, eu devo ser, atualmente, uma negação para expor meus sentimentos. Mas não mostrar o que eu sinto, meu caro, não faz com que eu deixe de sentir. E, caralho, sentir me faz querer que todos esses talvezes sejam verdade.


Eu quis te dar realidade. Mas, infelizmente, você preferiu facilidade.


cuida bem dela
você não vai conhecer alguém melhor que ela
promete pra mim
o que você jurar pra ela você vai cumprir
cuida bem dela
ela gosta que reparem no cabelo dela
foi por um triz
mas fui incapaz de ser o que ela sempre quis
faça ela feliz
— Henrique e Juliano, cuida bem dela

Quem pode me julgar por não querer me entregar pra qualquer um? Por buscar, antes de beijos e carícias, chamego e intimidade. Por me enojar com esses relacionamentos superficiais que começam com a mesma facilidade que terminam. Com essas pessoas que se dizem amigos, mas não nos dispensam o mínimo de respeito. Hoje em dia é tão comum desistir antes mesmo de tentar. E não dá pra entender? É só parar pra pensar, quantas pessoas você conheceu nos últimos tempos? E quantas dessas você realmente sentiu que valia a pena dar uma chance? Porque, peço desculpas àquelas que acham o amor da sua vida todo mês, mas, ao menos pra mim, não se dá uma oportunidade pra qualquer um. Permitir que alguém se aproxime, te conheça, saiba seus medos e compartilhe dos seus segredos é algo sério, que pode, inclusive, ser usado contra você. Quantas “amizades” não acabam assim? Com um falando tudo que sabe sobre sobre o outro para Deus e o mundo? Quantos relacionamentos não terminam em ódio, em mortes. Se envolver com alguém, nos dias de hoje, é perigoso, e aquela máxima “antes só, do que mal acompanhado” nunca foi tão verdadeira.



Ás vezes eu me pergunto o que eu faria se você aparecesse na minha frente hoje, tanto tempo depois. Acho que isso pode acontecer porque eu rezei tanto pra te ver quando eu estava superproduzida, cheia de amigos e muito bem acompanhada, que é bem provável que o destino te coloque na minha frente quando eu sair de qualquer jeito na padaria da esquina com a camiseta do pijama e a cara amassada.

Eu quis tanto mostrar pra você o quanto estava bem enquanto chorava a sua ausência em cada canto de mim, que agora que organizei meus pensamentos e não quero mesmo mais te ver, não sei o que faria se você aparecesse.

Talvez eu olhasse bem no fundo dos seus olhos e conseguisse entender se o que nos separou foi medo, indiferença ou desamor. Quem sabe lá estivessem algumas das certezas que eu insista em negar ou alguns dos motivos de ter pulado com pedras nos bolsos no seu oceano, sem me importar que o mundo dizia que eu precisava de colete salva-vidas.

De repente, olhando no fundo dos seus olhos, eu percebesse porque as suas palavras eram tão profundas e os seus sentimentos tão rasos. Quem sabe até sentisse pena de quem apaixonou tantas companhias e, quem sabe, sinta a mais completa das solidões.

Se você aparecesse, impulsivamente eu poderia te abraçar. Esquecer tudo o que passou e optar por alguns instantes da nossa velha intensidade de volta. Sentir o cheiro do teu pescoço – você ainda tem cócegas infinitas nele? – e sentir o calor mais verdadeiro de tudo o que eu já senti.

Aproveitar a amizade apaixonada que me fez tão bem sem medir a altura do tombo – ou a profundidade do mergulho. Não viver aquele momento como quem acredita que pode não haver amanhã, mas como quem entrega tudo o que guarda no peito no último suspiro.

Eu poderia expressar toda a raiva que eu senti em pontapés e tapas. Eu poderia te machucar de verdade, porque eu não sou forte, mas a dor que eu senti é e eu sei que ao menor deslize ela toma conta de mim de novo.

Quem sabe eu não caísse no choro? Afinal de contas, te ver seria ressuscitar um pedaço de mim que eu matei. Talvez eu chorasse de um luto vivo e pulsante demais para ser chamado de luto, talvez eu chorasse de alegria por saber que não passou de um sonho besta ou, quem sabe, eu chorasse por descrença, desespero, fraqueza.

Se você aparecesse quem sabe eu clamaria por um conversa de verdade, por um pouco de maturidade na tua capacidade infantil de sumir e pela minha capacidade ainda mais infantil de sofrer. Talvez eu sentasse na tua frente e desmontasse cada um dos teus argumentos como naquela noite. Talvez eu esquecesse todos os argumentos e conseguisse expressar só um pouco de tudo o que me engasga e me sufoca, mas que eu só conseguiria explicar pra você.

Quer saber? Se você aparecesse, provavelmente eu viraria as costas e seguiria em outra direção. O mundo ficaria em stop motion para que cada passo na direção contrária a sua tivesse a duração de um filme do que não vivemos em sessão exclusiva pra mim.

O caminho da minha felicidade longe de você pode ser mais longo, mais cheio de curvas e talvez eu siga a vida inteira buscando o pote de ouro no final do arco-íris. Mas, se você quer mesmo saber, eu acho que a minha maior mudança em todos estes anos foi conseguir te enxergar exatamente do jeito que você é. E aí, quando eu te vi de verdade, eu percebi que prefiro ser metade.

— Marina Melz (via: entendaoshomens.com.br)

Seja forte, e se não puder ser, aparente ser.